quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ESPECIAL VIAGEM AO MÉXICO!!!! (PARTE 01)

Reconstrução de templo maia no Museu de Antropologia de Chapultepec. Cidade do México.

Texto: Dalton Delfini Maziero
Fotos: Dalton Delfini Maziero / Sandra Regina Orsini Maziero

Atendendo a centenas de milhares de pedidos desesperados, estou repassando aos leitores famintos uma série de informações referentes ao planejamento de minha viagem ao México, que teve como foco os museus e sítios arqueológicos. Lembrando que todos os valores mencionados aqui são referentes ao mês de outubro de 2012. Fiquem cientes que as dicas de lugares para se conhecer não esgotam todas as opções! O México é uma fonte inesgotável de atrações! Portanto: pesquisem sempre!

Av. Passeo La Reforma. Foto tomada do 10º andar do Hotel Fontan, na sala do café da manhã...

ROTEIRO

O roteiro de qualquer viagem deve ser elaborado de acordo com três critérios: tempo disponível X profundidade de exploração X dinheiro disponível. Eu odeio aqueles roteiros tipo: “Europa! 7 cidades em 9 dias!”. Desculpem-me, mas passar uma tarde em Lisboa não significa que você conheceu Portugal. Aliás, não conheceu nem Lisboa!

Desta forma, optei por me aprofundar em apenas três cidades – não muito distantes umas das outras – e seus arredores, no prazo de 20 dias. As cidades escolhidas foram a capital Cidade do México, Puebla e Oaxaca. Também optei por seguir de ônibus entre elas, para ver melhor a mudança de paisagem e sua geografia. O roteiro não deve ser “chutado”, mas pautado no número de atrações que existem em cada localidade. Assim, reservei 10 dias para a capital mexicana, 03 dias para Puebla e 04 dias para Oaxaca. O restante é tempo gasto em trânsito entre as cidades e aeroporto. É melhor conhecer BEM uma região do país visitado (para não ter mais que retornar a ela) do que descobrir em casa depois, que passou ao lado de atrativos incríveis e não os conheceu por falta de informação e pesquisa.

Prédio do Correio, na Alameda Central.

Correio: vista interna, decorada com mármore e ferro batido.

Para conhecer o México, o brasileiro precisa de Passaporte e Visto de entrada, a ser retirado no Consulado Mexicano. Se pedir o visto pela manhã, de tarde ele fica pronto. Em São Paulo, o Consulado fica na Rua Holanda, 274 (http://consulmex.sre.gob.mx/saopaulo/). Paguei R$ 78,00 pelo visto, que me foi concedido pelo prazo de 01 ano. No Consulado, nos avisaram que o visto americanos também serve.

Com relação à passagem de avião, optei pela TAM, por oferecer um voo direto a um preço bastante atraente. São 9:15 horas de voo. Paguei R$ 1.637,00 pela passagem São Paulo/México/São Paulo. O voo foi muito tranquilo, com ótimo atendimento da tripulação. Optei também por comprar a passagem pela CVC que, por ser agência, conseguiram um valor melhor do que estava achando pela internet. Eles conseguem com desconto. Nesse quesito, não tem como competir. Se optar por voos em escala – R$ 350,00 mais barato -, terá que fazer paradas em Lima (Peru) de 1:40hs; ou em Bogotá (Colômbia) de 8:30 a 12:00hs (!). Melhor pegar direto...

Bosque de Chapultepec. Um parque gigantesco na capital mexicana!

Bosque de Chapultepec...Ei! É proibido dar bolachas de chocolate aos esquilos!!!

O QUE CONHECER

Cidade do México
A cidade do México é imensa! Maior que São Paulo. Fique sempre hospedado no Centro Histórico. Se fizer isso, poderá ver 65% dos atrativos da cidade a pé. A cidade do México – pelo menos em sua parte central – é muito tranquila. Não vi absolutamente nada que pudesse criar o menor temor em relação a assaltos ou coisas do tipo. Às 22:00hs, as praças e ruas centrais estavam cheias de gente passeando, nos bares...bem tranquilo.

A Prefeitura de lá criou um sistema para turistas chamado “Turibus”. Existem 3 circuitos. São ônibus vermelhos que circulam das 9:00 as 22:00hs, com o teto ocupado por cadeiras, para que os turistas possam fotografar a paisagem. Você paga 25 pesos e pode subir e descer dele quantas vezes quiser no mesmo dia. Eu adoro andar, por isso não usei o Turibus. Acho que andar te possibilita descobrir galerias, lojas e um contato maior com os hábitos da população. Mas tem turistas que preferem “certa distância” das calçadas, por medo, receio de serem abordados por transeuntes ou simplesmente porque não dispõe de muito tempo para conhecer a cidade.

Turibus. Os turistas adoram ficar lá no alto...

O chamado centro histórico é dividido em duas grandes praças (grandes mesmo!), chamada Zócalo (a mais antiga) e Alameda Central (mais moderna) Ao redor ou próximo delas, estão grande parte das atrações da cidade. De qualquer forma, explore as ruas ao entorno das praças e também as que ficam entre elas. Vai encontrar um comércio incrível e coisas muito curiosas para comprar e ver. As ruas que ficam atrás do Templo Maior (Rua Moneda) e do Palácio Nacional também são muito interessantes! Antigas, com prédios inclinados (estão afundando devido ao solo sedimentar) e arquitetura colonial. Mas também é região de comércio mais popular. Evite essa região à noite.

Na cidade do México, além de andar a pé, você pode usar o metrô e o taxi, que são muito baratos! O metrô custa apenas 3 pesos (algo como 26 centavos de dólar). Existem três vezes mais estações de metrô no México do que em São Paulo, distribuídas por 9 linhas mais coligações. Infelizmente, a qualidade técnica dos trens e estações é muito inferior a nossa. O metrô do México é um lixo, mas é barato e funciona. Se for utilizá-lo, aconselho que seja entre 10:30hs da manhã e 15:30hs da tarde. Fora desse horário, vai encarar o “rush” dos trabalhadores e tudo vira um inferno! Os taxis são abundantes e cobram pela distância percorrida (taxímetro). Gastamos 12 dólares para ir do centro da cidade ao Aeroporto Internacional. Em São Paulo, esse mesmo percurso não sairia por menos de uns R$ 150,00.

Para não se tornar um viajante DESAVISADO, você DEVE conhecer:

01 - Templo Mayor Asteca
Para quem vive em São Paulo, imagine se descobrissem uma pirâmide asteca na Praça da Sé! O Templo Mayor Asteca é isso, uma pirâmide no coração da cidade. Claro que ela foi destruída pelos espanhóis, e tudo o que sobrou foram seus fundamentos. Mesmo assim, são impressionantes e ilustram muito bem o que deveria ser esse edifício: magnífico! Para maiores detalhes, aguarde matéria especial no Blog, em breve!

Vista geral do Templo Mayor. Ao fundo, a Catedral Metropolita, no Zócalo.

Maquete da pirâmide do Templo Mayor, no museu de sítio.

02 - Palácio de Bellas Artes
O Palácio de Bellas Artes fica em uma linda praça, bem no centro. O prédio é belíssimo, e seu interior mais ainda. Ele oferece exposições temporárias que podem ou não ser interessantes, mas o grande lance mesmo são os murais do 1º andar. Orozco, Siqueiros, Rivera, Camarena...Grandes artistas em grandes trabalhos de cair o queixo! Ali você verá murais famosos, que certamente conhece de livros e revistas. O único problema é que não permitem fotografar, nem sem flash! E também não disponibilizam catálogo nem folhetos com o que se vê lá dentro. O Palácio funciona de terça a domingo, das 10:00 - 20:00hs, e custa 43 pesos a entrada.

O Palácio de Bellas Artes, na Alameda Central.

03 - Palácio Nacional
O Palácio Nacional fica no Zócalo (Praça Central), sobre o antigo Palácio de Montezuma. Um enorme prédio de aspecto austero. Você vai encontrar nele toda uma galeria de murais pintados por Diego Rivera, retratando os costumes dos povos pré-colombianos e da época da conquista espanhola. São simplesmente maravilhosos...as cores...a composição! Sou fã do mural de Tenochtitlán, onde Rivera retratou os mercadores astecas em uma feira! Mas não é só isso. Seguindo por seus corredores, vai encontrar nos fundos, alguns jardins muito bonitos, inclusive um formado apenas por cactos de todo o México! Está aberto diariamente, das 9:00 - 17:00hs. Não pagamos nada para entrar.

Uma das galerias de murais de Diego Rivera, no Palácio Nacional.

04 - Catedral Metropolitana
A Catedral Metropolitana (1525-1813) foi oficialmente, o primeiro lugar que visitei no México. Não sei se foi por isso, mas achei a igreja a mais linda que vi em minha vida. Enorme!!!! Antiga e imponente! Suas torres chegam a quase 70 metros de altura. Ela estava afundando em seu próprio peso há alguns anos. Não consigo imaginar como eles conseguiram erguê-la com macacos hidráulicos, mas fizeram isso! Ainda tive a sorte de estarem tocando órgão no momento da visita. Está aberta diariamente, das 8:00 - 20:00hs. Não paga nada para entrar.

A Catedral Metropolitana, no Zócalo (Centro Antigo).

Vista interna da Catedral Metropolitana. O lugar é de chorar...

05 - Museu Nacional de Artes
Para quem gosta de arte, uma visita imperdível! O acervo permanente apresenta obras do século XVII ao XIX, mas tem também as exposições temporárias. Alguns quadros são de detalhes e composições incríveis, de um realismo impressionante. Obras de José Juárez, José de Ibarra, Joaquin Ramírez, entre outros. Reserve, no mínimo, duas horas para ver tudo. Vale mencionar a arquitetura belíssima do edifício também. Funciona de terça a domingo, das 10:00 – 17:30hs. A entrada custa 47 pesos.

Museu Nacional de Artes

06 - Museu Nacional de Antropologia de Chapultepec
O que dizer do Museu de Antropologia de Chapultepec? Simplesmemte o maior acervo de peças pré-colombianas do mundo! O melhor e mais divertido museu que vi em toda minha vida! Entramos às 9:15 da manhã e saímos às 17:00hs da tarde, de tanta coisa que tem para ver. É gigantesco! Possui salas com templos e pirâmides em tamanho real! Uma museografia incrível! Para maiores detalhes, aguarde matéria especial no Blog, em breve!

Uma das fantásticas salas do Museu Nacional de Antropologia. Para quem gosta de arqueologia, isso é um parque de diversões!

07 - Balé Folklórico
O Balé Folklórico de Amalia Hernandez, já é uma tradição da cultura dos mexicanos. Acontece todas as quartas e domingos à noite (20:30hs) no Teatro do Palácio de Bellas Artes. O espetáculo é dividido em duas partes, com oito danças folclóricas de diversas regiões. Tem que ver! Sem dizer que o Teatro do Bellas Artes é magnífico. Pagamos 300 pesos pelo ingresso. No final, as moças atendentes oferecem uma fita DVD do espetáculo, que contém um documentário maravilhoso de como surgiu o Balé. Cobram 350 pesos pelo DVD e só vende lá, na hora! Não adianta procurar fora do dia do espetáculo na lojinha do Palácio, pois não vai encontrar!

Uma das danças do Balé Folklórico de Amalia Hernandez.

08 – Basílica de Guadalupe
Um dos mais visitados santuários das Américas. Esqueça se você é ou não religioso! O lugar é impressionante e definitivamente, possui uma atmosfera diferente. A antiga Basílica data do início do século XVIII, e está visivelmente afundando no piso. É uma igreja muito bonita! Mas o complexo contém a nova Basílica e outros prédios interessantes como a Capilla del Pocito. Explore o local, ande! Não deixe de ir na parte de trás da antiga basílica. Lá existe uma escadaria que te leva ao topo de um morro, onde existe um mirante, uma antiga capela e anjos belíssimos em pedra. O local abre todos os dias e não cobra nada para entrar. Para chegar lá, basta pegar o metrô da linha vermelha e descer na estação “Basílica La Villa”. O local fica a somente 3 minutos a pé da estação.Para quem aprecia uma recordação, encontrará ainda fotógrafos com altares de flores e Guadalupe para o turista levar uma foto, ou mesmo pequenas lojas com souvenires.

Vista geral do complexo de Guadalupe.

Anjo Uriel, em Guadalupe.

09 - Lucha Libre no Arena México
O Arena México é o espaço sagrado das Lutas Livres! Sim! Aquela pancadaria com caras mascarados, tão típica dos mexicanos. Se você não for ver, você é um otário! Ali se apresentaram caras como El Santo e Blue Demon! As lutas são pura marmelada, pura encenação, mas muito divertidas! As famílias vão em peso, gritar e xingar para os lutadores. O clima é bem tranqüilo – agitado mas seguro para o turista -, e ali você verá como são os mexicanos na realidade. Você deve comprar os ingressos com antecedência, para fugir dos cambistas. A Arena México tem dois portões. Um deles, com pequenas guaritas de venda. Passe lá uma tarde e bata na guarita, que tem vendedor lá dentro. Os ingressos vão de 80 a 320 pesos. O mais caro é para as cinco primeiras fileiras. Eu comprei o de 300 pesos e fiquei na sexta fileira. Dá para ver super bem! As lutas começam às 20:30hs e terminam por volta das 23:00hs, com direito a briga entre mulheres. Tem lutas as sextas e domingos. Prefira as de sexta que são melhores, me orientaram os próprios mexicanos. Ah, sim! Não pode fotografar. Aliás, eles não permitem entrar com máquinas, sacolas, bolsas, comida, água...Então, leve apenas seu passaporte e dinheiro para gastar lá dentro, com vendedores ambulantes, que lhe oferecem cerveja, pipoca, máscaras de lutadores (80 pesos) entre outras tralhas. O Arena México fica próximo a estação de metrô “Balderas”.

Arena México, onde já lutaram ícones como El Santo e Blue Demon.Foto internet.

Lucha Libre, com direito a voadora no peito e chave de pescoço! Tudo uma armação divertida.Foto internet.

10 - Museu de Cera.
Divertidíssimo! Fica ao lado do Museu Ripley. Na verdade, são do mesmo grupo e eles vendem ingressos para os dois museus, com desconto. O Museu de Cera é genial, com figuras internacionais e personalidades mexicanas. De uma forma geral, eles dividiram as salas por temas: esporte, política, cinema...Grande parte do subsolo (porão) é dedicado ao mundo do terror! Escuro e tenebroso. Tem um aviso para cardíacos não entrarem. O clima lá embaixo é tenso, tem gente que não entra de medo, e você pode sim levar alguns sustos. Eu, como amante de filmes trash classe B, adorei!!!! O Museu de Cera fica na Zona Rosa (Rua Londres, 04) e custa 130 pesos (com direito a visitar o Museu Ripley também). Pode fotografar a vontade, sem flash. Importante: Este é um museu particular, portanto, abre as segundas, quando todos os outros estão fechados! Reserve a segunda para vê-lo! De segunda a sexta, das 11:00 – 19:00hs. Sábados e domingos, das 10:00 – 19:00hs.

Sala do Cinema Mexicano, no Museu de Cera.

Sala “O Senhor dos Anéis”, no Museu de Cera.

11 – Castillo de Chapultepec
O Parque de Chapultepec é um absurdo de grande! Falando sinceramente, você precisa de três dias para ver tudo o que ele oferece: 01 dia para o Museu de Antropologia, 01 dia para os outros museus que ficam nele, e 01 dia para passear pelos lagos, bosques, etc. Vi, quando muito, metade do que possui. De qualquer forma, se seu tempo for limitado, não deixe de subir ao Castillo de Chapultepec. Além de uma bonita vista da cidade e do parque, existe no Castelo um museu de História magnífico, com peças interessantíssimas (carruagens reais e ambientações originais do séc. XIX), além de murais maravilhosos!!! Passeio para umas 3 horas. O Castillo funciona de terça a domingo, das 9:00 – 17:00hs, e custa 57 pesos a entrada.

Castillo de Chapultepec.

Sala dos vitrais, no Castillo de Chapultepec.

12 – Bairro de Coyoacán
Ao sul da cidade do México, existe um bairro de artistas, que antigamente foi um vilarejo que a cidade “absorveu” com o tempo. Por esse motivo, o bairro possui uma atmosfera completamente diferente do restante da cidade: ruas estreitas, arborizadas, casas coloniais, muita paz, silêncio e tranqüilidade. Neste bairro, vai encontrar o Museu Frida Khalo, a Praça Hidalgo, a Casa da Cultura Popular, feiras de artesanato, entre outras atrações. Dá para passar um dia inteiro caminhando por lá, explorando suas ruas. Não preciso dizer que a Casa de Frida é visita obrigatória. Funciona de terça a domingo, das 10:00 – 17:45hs. O ingresso custa 60 pesos. Você pode fotografar os jardins e ambientes externos. Para fotografar internamente, deve pagar uma licença de 60 pesos. Nos finais de semana, ocorrem feiras de artesanato. Se gosta de caminhar, desça na estação de metrô “Miguel Ángel de Quevedo” e pergunte pela Av. Francisco Sosa. Siga essa avenida direta até o centro de Coyoacán, numa caminhada de aproximadamente 2 km.

Museu Frida Khalo. Aos finais de semana é lotado!!!


Se sobrar tempo, VEJA TAMBÉM:

- Museu Ripley
Museu de curiosidades do famoso programa “Acredite se Quiser”. Está cheio de bizarrices de todos os gêneros: tecnologia, cultura, antropologia, história, entre outros assuntos. Tem coisas bem interessantes e outras nem tanto, mas vale a visita! Vide mais informações em “Museu de Cera”.

Santa Ceia feita em papel maché, em tamanho natural! Museu Ripley.

- Museu José Luis Cuevas
O museu José Luiz Cuevas contém o acervo deste artista mexicano, que é bem interessante, bem gráfico. Mas o que chama mais a atenção é a enorme estátua de mulher em bronze (La Giganta) no pátio central e o edifício que abriga o acervo, com sua arquitetura típica espanhola de grande pátio. Antigamente, o edifício foi o convento de Santa Inés (século XVII). Obrigatório para quem gosta de arte contemporânea. Pagamos 25 pesos para entrar. Funciona de terça a domingo, das 10:00 – 17:30hs.

La Giganta, no Museu José Luis Cuevas.

- Praça das Três Culturas
A Praça das Três Culturas é muito interessante. Ela possui nas proximidades, ruinas arqueológicas, prédios coloniais e edifícios modernos. As ruinas são da cidade irmã de Tenochtitlán, conhecida como Tlatelolco, e foi o local onde ocorria a famosa feira/mercado pré-hispânico retratado pelo muralista Diego Rivera. Para quem já viu as ruínas do Templo Mayor Asteca, esta não apresenta muitas novidades, mas vale uma visita pelo conjunto da obra. Para maiores detalhes, veja artigo já publicado no Blog: http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/2012/11/tlatelolco-especial-viagem-ao-mexico.html

Praça das Três Culturas.

- Museu Rufino Tamayo
O museu fica dentro do Parque de Chapultepec. Sinceramente, não gostei muito do acervo. Quando estive lá, havia algumas exposições temporárias bem chatas. Achamos também em pequena quantidade as obras de Tamayo. Mas de qualquer forma, vale pela arquitetura modernista em concreto do prédio, que é bem interessante. De terça a domingo, das 10:00 – 17:30hs. Não pagamos para entrar.

A arquitetura do Museu Rufino Tamayo.

- Museu Franz Mayer
Existe atrás da Alameda Central (na Av. Hidalgo), um pátio colonial muito bonito que abriga o Museu Franz Mayer (artes aplicadas), com móveis, prataria e objetos artísticos do século XVII, XVIII e XIX; A igreja de San Juan de Dios (séc. XVIII); o Museu Nacional da Estampa e outra igreja muito antiga que não anotei o nome. Esse espaço merece uma visita! Para o Museu Franz Mayer, paga-se 35 pesos. As igrejas são gratuitas. O museu da Estampa não chegamos a visitar.

Pátio colonial. Igreja de San Juan de Dios e Museu Franz Mayer.


Nos ARREDORES da Cidade do México, VOCÊ DEVE VER:

- Teotihuacán
O sítio arqueológico de Teotihuacán é um espetáculo a parte. O conjunto é o maior das Américas, com avenidas, templos e pirâmides. Na cidade do México, vão oferecer um passeio picareta por 800 pesos, no qual visita além de Teotihuacán, a Basílica de Guadalupe. Nessa tur, você fica 1:30hs nas ruinas. Quando o agente me falou isso, ri na cara dele! Para ver as ruinas, reserve pelo menos 3:30hs para caminhar e subir nas pirâmides. Não deixe de ver o pequeno museu de sítio, que fica ao lado da pirâmide do Sol. Para maiores detalhes, aguarde matéria especial que será publicada no blog em breve!

Vista Geral de Teotihuacán, tomada do topo da Pirâmide da Lua.

- Tula
As ruínas da capital do povo Tolteca impressionam pela arquitetura diferenciada. Sem contar que lá fica o conjunto de estátuas conhecidas como “Atlântes”. Se for visitá-las por excursão, vai pagar algo em torno de 800 pesos. Se for por conta, uns 250 pesos no máximo. Para saber mais, veja matéria especial já publicada no blog:
http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/2012/11/tula-capital-do-povo-tolteca-especial.html

Os Atlantes de Tula.

- Toluca (Cosmovitral/Jardim Botânico)
Se você for à Cidade do México e não se deslocar a Toluca para ver o Cosmovitral, acredite! Você é um otário! O Cosmovitral é uma das obras mais belas que já vi na vida! A cidade de Toluca fica próxima da capital mexicana. Você deve ir ao Terminal de Ônibus Poniente (que fica ao lado da estação terminal “Observatório”, do metrô). De lá saem Ônibus a cada 30 minutos. A passagem vai lhe custar 44 pesos, e a viagem dura 1:15hs. Toluca tem um centro muito bonito e agradável, formado por praças arborizadas, arcos e igrejas. A cidade oferece passeios radicais, como descidas de rios e subidas em vulcão. Se for fazer isso, precisará se hospedar por lá. Se fizer uma visita de apenas 1 dia, veja a Catedral, o Museu de Belas Artes mas, dê prioridade ao Jardim Botânico/Cosmovitral (todos na praça central) A entrada deste custa 10 pesos. O lugar é tão magnífico e agradável, que permanecemos mais de 2 horas fotografando! Mas atenção! Como se tratam de vitrais, opte por vê-los em dia de sol. É muito mais bonito! Chegando na Rodoviária de Toluca, você deve buscar um taxi até o centro (Zócalo), pois ele fica bem longe para ir a pé. Você vai gastar 35 pesos na corrida. Se for em outubro, vai pegar uma feira de doces do Dia dos Mortos que ocupa toda a arcada ao redor da praça. Lindo de ver, comer e fotografar!

Cosmovitral, em Toluca. Absolutamente imperdível!

Feira de doces, para o Dia dos Mortos. Toluca.

Praça Central em Toluca. Um lugar muito agradável.

NA SEGUNDA PARTE, AS CIDADES DE PUEBLA, OAXACA E MAIS: COSTUMES, ALIMENTAÇÃO, DINHEIRO, ARTESANATO E HOTÉIS! NÃO PERCAM!!!!!!

sábado, 10 de novembro de 2012

TLATELOLCO (Especial Viagem ao México)

Vista geral de Tlatelolco

Texto: Dalton Delfini Maziero
Fotos: Dalton Delfini Maziero / Sandra Regina Orsini Maziero

O presente artigo faz parte do diário de viagem do autor ao México, realizado no mês de outubro de 2012.

Parecem não ter fim as descobertas realizadas na cidade irmã de Tenochtitlán. Situada a poucos quilômetros do centro do México, Tlatelolco é hoje uma tranquila praça pública. Outrora foi um centro de cidade pré-colombiana, com um efervescente mercado popular, retratado com maestria pelo muralista Diego Rivera.

O mural de Rivera, localizado no Palácio Nacional. Nele está retratado a feira pré-hispânica que ocorria em Tlatelolco.

Para quem quiser conhecer o local, é muito fácil: na Cidade do México, basta entrar no metrô e procurar pela linha 3, que liga “Universidad” a “Indios Verdes”. A estação que deve descer leva o mesmo nome do sítio arqueológico, ou seja, ”Tlatelolco”! Contudo, a saída da estação não é na Praça das Três Culturas, onde se encontram as ruínas. Você vai passar por caminhos cobertos que cortam prédios habitacionais populares, cruzar uma avenida e depois uma praça, para então alcançar uma passagem subterrânea (por baixo de um viaduto) onde fica uma biblioteca pública. Tivemos que perguntar a três pessoas na rua que nos orientaram em que direção seguir. Portanto, faça o mesmo, pergunte! É mais fácil. Saindo do metrô, são apenas 5 minutos a pé.

Embora as ruínas façam parte de uma praça pública, elas possuem horário de visita (9:00-18:00hs, de terça a domingo). Existe um caminho a ser seguido, que é guardado por seguranças, que o orientam a não sair do trajeto e não pisar nos recintos arqueológicos. A visita é gratuita, mas devido a estar localizado em bairro mais popular, não aconselho chegar lá ao cair da noite. Prefira a parte da manhã, com sol. É mais bonito.

MAPA
Localização das construções em Tlatelolco: 1) Templo de Ehécatl-Quetzalcóatl, 2) Altares circulares sobrepuestoas, 3) Altar Tzompantli del patio sur, 4) Templo calendárico, 5) El Palacio, 6) Templo de las Pinturas, 7) Templo Mayor - Etapa II, 8) Etapas constructivas del Templo Mayor, 9) Los amantes de Tlatelolco, 10) Plataforma Oeste, 11) El Gran Basamento, 12) Calzada Tepeyac, 13) Límite norte del Recinto, 14) altar Tzomplantli del norte, 15) Iglesia y Convento de Santiago, 16) Plaza de las Tres Culturas, 17) Zona Chica, 18) Hacia el Tecpan y 19) Caja de agua, Pintura Mural de 1536

A Praça das Três Culturas é assim chamada por abrigar ruínas pré-colombianas, construções coloniais e prédios modernos uns ao lado dos outros. A exemplo das ruínas do Templo Maior, o que se vê aqui são seus fundamentos, as camadas que estavam sobrepostas e que formavam a pirâmide (templo) principal e alguns edifícios baixos do último período antes da invasão espanhola.

Perto da entrada, alguns altares pequenos e de formato circular, sobrepostos, conhecidos como Momoztli, onde o povo comum depositava suas oferendas a entidades diversas. Era um altar “genérico”. Alguns desses altares são resquícios da quarta etapa de construção do recinto cerimonial, e foi erguido na época do governante Cuauhtlatoa (1427-1467 dC).

ALTAR TZOMPANTLI SUL

O altar Conhecido como “Tzompantli Sul”, possui três etapas superpostas de construção. A primeira é representada por um altar com 4 escadarias para os quatro pontos cardeais. A segunda etapa apresenta forma retangular e um único acesso pelo lado oeste. A terceira fase de construção é representada apenas por uma plataforma retangular, sobre a qual se encontra um depósito circular usado para oferendas.

Próximo a esquina noroeste deste altar, se encontrou um conjunto de 170 crânios humanos com perfurações laterais, junto com um caracol cortado (Ehecacózcatl, símbolo de Quetzacóatl). Pela localização deste achado é muito provável que os crânios estivessem colocados sobre o altar Tzompantli.

Os Tzompantlis ou “Bandeiras de Cabeças” são estruturas de madeira nas quais se colocavam crânios humanos perfurados pela parte de trás. O conjunto de crânios descoberto está hoje exposto no Museu de Medicina de Santo Domingo.

O PALÁCIO

Nesta estrutura pode-se ver um amplo portal voltado ao sul, e que foi formado por colunas que suportavam o telhado que hoje já não existe mais.

No centro do edifício existe um pátio que se prolonga até o fundo, onde se encontra um altar e quatro habitações. Este edifício exibe diferenças arquitetônicas que o diferencia do existente em Tenochtitlán.

A distribuição dos templos da Praça Sul sugere um uso diferente do conjunto do Templo Maior, pois se considera que este de Tlatelolco teve funções cívicas religiosas.

TEMPLO DAS PINTURAS
De pequena estrutura, é chamada Templo das Pinturas porque quando foi descoberta, toda sua fachada estava coberta por pinturas murais.

A estrutura é composta por uma plataforma com escadaria do lado oriental que se estende formando seu vestíbulo. Sua construção segue a linha arquitetônica já encontrada em Teotihuacán. Em sua decoração e relevos, podemos observar desenhos geométricos e animais, com semelhanças encontradas nos templos de Tenochtitlán e Tenayuca.

TEMPLO CALENDÁRICO

O edifício apresenta uma fachada principal com dupla escadaria. Neste edifício, se encontra um conjunto de símbolos que correspondem ao calendário ritual mexica, o Tonalpohualli.


Em 1989, os arqueólogos encontraram uma pintura mural, representando um casal de velhos desdentados (Cipactónal e Oxomoco) que são os deuses criadores do calendário mexica.

A GRANDE PLATAFORMA DO OESTE
Escadarias do Templo Mayor. A Grande Plataforma Oeste fica em frente, mas estava coberta para escavações e restauro...

Em 1960, se descobriu uma plataforma, que não foi possível escavá-la por inteiro por causa da ampliação da Av. Eje Central. De qualquer forma, pelos restos expostos, podemos observar um altar circular, que fez parte do Templo dedicado a Quetzalcóatl. De acordo com fontes históricas, ela se orientava para o adoratório de Huitzilopochtli, no Templo Maior. Por sua vez, para o norte se encontravam os restos de um altar central de forma retangular frente ao adoratório dedicado a Tláloc, do mesmo Templo Maior.

O Templo Maior, em outro ângulo.

PATIO NORTE
Frente aos restos da sétima etapa de construção do Templo Maior está a Grande Plataforma Oeste, de forma retangular e com dois altares, cada um de frente aos adoratórios do Templo Principal. O adoratório do sul é circular e talvez dedicado a Quetzalcóatl. O do norte é de forma retangular.


No canto noroeste desta zona arqueológica, se encontra um altar anão, com só 1m² e 70cm de altura. Está voltado ao sul. Segundo fontes históricas, é possível que este tipo de altar fosse um “Momoztli”, um tipo de altar usado para que as pessoas do povo fizessem suas oferendas a deuses diversos.


As escavações em Tatlelolco por hora estão finalizadas. Mas obviamente existem muitos outros edifícios por baixo da praça, das avenidas laterias, dos conjuntos habitacionais e da própria Igreja de Santiago, construída pela Ordem dos Franciscanos e concluída em 1610.

Recentemente (final de 2011), inauguraram um museu se sítio ao lado das ruínas (Rua Ricardo Flores Magón, nº 1). Ainda em 2011, localizaram parte de uma escadaria referente a primeira edificação de Tlatelolco. Também as escavações nos metrôs revelaram fragmentos importantes, em várias localidades da cidade, resgatando cerca de 20 mil peças, muitas delas da cidade de Tlatelolco.

Tlatelolco foi palco de alguns massacres populares na história, entre os quais, o da conquista de Hernán Cortes sobre os povos indígenas. Neste local, defendido heroicamente por Cuauhtémoc, caiu no império asteca. Uma placa em frente ao Templo de Santiago relembra o fato: “Em 13 de agosto de 1521, heroicamente defendida por Cuauhtémoc, Tlatelolco caiu nas mãos de Cortés. Não foi nem vitória nem derrota, mas o doloroso nascimento da nação mestiça que é o México de hoje”.

Pelo amor de Deus! Leve filtro solar! Ao fundo a Igreja de Santiago (1610)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Tula, capital do povo Tolteca (Especial Viagem ao México)

Vista geral dos "Atlantes" de Tula.

Texto: Dalton Delfini Maziero
Fotos: Dalton Delfini Maziero / Sandra Regina Orsini Maziero

O presente artigo faz parte do diário de viagem do autor ao México, realizado no mês de outubro de 2012.

Tula – ou Tula de Allende – é uma cidade que fica a 85km da Cidade do México. Para quem pretende visitar este local, aqui vai a dica: partindo da cidade do México, você deve procurar pelo Terminal de Ônibus Norte (Autobuses Del Norte), que está ligado à linha do metrô da cidade (linha Amarela). A estação de metrô leva o mesmo nome “Autobuses Del Norte”. Os ônibus saem de 20 em 20 minutos, custam 90 pesos (7,2 dólares), e a viagem leva 1:30hs. As ruínas abrem as 10:00 da manhã, e será interessante chegar por volta deste horário, para evitar tumultos com ônibus de turistas e grupos escolares. Chegando na Rodoviária de Tula, você tem duas opções: Pode seguir a pé até as ruínas (elas ficam a cerca de 2,5 km do centro da cidade) ou pegar um taxi da Rodoviária até lá, que vai lhe custar 35 pesos (2,8 dólares). A entrada ao sítio arqueológico custa 57 pesos (4,5 dólares). Se tiver carteirinha de estudante leve e tente um “chorinho” para pagar meia entrada. A visita ao sítio arqueológico leva cerca de 2 horas. Desta forma, é muito tranqüilo sair da Cidade do México, visitar as ruínas, almoçar na cidade de Tula e retornar a capital mexicana no período da tarde. Lembrando que a conversão da moeda aqui mencionada é de 1 dólar = 12,5 pesos.

A viagem é tranqüila, em um bom ônibus, por uma boa estrada. No caminho, pode-se avistar uma série de grandes refinarias de petróleo em meio a uma paisagem semidesértica. As refinarias poluem a região, mas sem elas, as cidades atuais não existiriam. Tula de Allende é uma cidade pequena, com ruas estreitas e de trânsito conturbado. Sua principal atração são as ruínas arqueológicas de Tula, do povo Tolteca.

Passando pela portaria principal do Parque Arqueológico, deve-se seguir por um caminho bem marcado de 800 metros até chegar nas ruínas. Nesse trajeto, não tem como não observar os enormes e maravilhosos cactos existentes na região. São lindos! Contudo, evite sair da trilha e se aventurar pelo mato, pois a região desértica é habitada por serpentes. Ah, sim! Ao longo desses 800 metros, existem alguns grupos de barracas de venda de artesanato. Faz parte deles oferecerem seus produtos...Mas de boa, os caras são muito chatos...


TULA

Tula foi uma das cidades mais importantes do México antigo. Teve uma longa vida de mais de quatro séculos e, por volta de 1100 dC, foi uma metrópole com 16 km² de extensão e cerca de 40 mil habitantes. Foi composta por terraços, pirâmides, praças, palácios, canais de irrigação e drenagem, ruas, calçadas, escadarias, pontes e templos. Lutas internas por poder, seguido de invasões, decretaram o fim da cidade. Seu apogeu ocorreu entre 900 e 1200 dC.

A enorme praça principal com plataformas, escadarias, altares, palácios e duas quadras de jogo de bola, estavam localizados em um dos pontos mais altos da cidade, dominado assim, todo o espaço urbano. Era o centro religioso, político e administrativo. Suas duas pirâmides – visíveis de qualquer ponto da cidade – estiveram ornamentadas com esculturas gigantescas e baixos relevos policromos.


JOGO DE BOLA

Na quadra de bola nº 01, se encontrava a figura de um guerreiro com a vestimenta de Tláloc – Deus da Chuva – relacionado com as Dinastias Reais.

Nas cabeceiras da quadra, existem nichos onde possivelmente estavam as esculturas dos deuses patronos dos jogos. O interior da quadra deveria estar decorado com pedras lavradas, saqueadas na época dos mixtecas (astecas).

Quadra do Jogo de Bola nº 01

Próximo a Praça Central, existe uma segunda quadra de bola - maior que a primeira - onde se efetuavam encontros rituais associados ao movimento dos astros e das guerras. Existem evidências de antigas lápides esculpidas ornando o espaço, e também de anéis de pedras de cada lado da quadra. Existe uma semelhança notável entre esta segunda quadra de Tula e a existente em Chichén Itzá (Yucatã). Ao lado da quadra, uma plataforma larga e baixa (Tzompantli) era utilizada para se colocar os crânios dos indivíduos decapitados.

Diferente da quadra que vi em Monte Albán, estas duas apresentavam paredes laterais baixas, e estavam em condições de preservação abaixo da mencionada.


EL COATEPANTLI (MURO DAS SERPENTES)

Coberta e protegida por uma estrutura metálica horrorosa...Sério, essa estrutura interfere na observação do conjunto arquitetônico!...existe um maravilhoso exemplar de baixo relevo tolteca. O muro existente em Tula foi o protótipo dos que se construíram depois ao redor das praças da cidade asteca. Sabe-se que na cosmologia mexica, os muros marcavam os limites do espaço sagrado dos recintos cerimoniais. Provavelmente, tiveram o mesmo significado ritual para os toltecas.

Protegem...mas a estrutura é horrorosa!

O Muro das Serpentes

As figuras esculpidas nas lápides centrais do Coatepantli correspondem a esqueletos humanos devorados por enormes serpentes cascavéis, e estão relacionadas ao sacrifício humano.

Esqueletos e Serpentes...

Outras grafias ao lado das serpentes e esqueletos possuem influência mixteca e lembram em parte, os mosaicos de Mitla (Oaxaca). Os grafismos em forma de caracóis cortados simbolizam Quetzalcóatl em sua manifestação do planeta Vênus. Provavelmente este muro é o que sobrou de muitos que existiam na cidade. E todos pintados com cores fortes. Pode-se observar o predomínio do vermelho e amarelo nas pedras ainda.


O PALÁCIO QUEIMADO

Esta estrutura não foi utilizada como residência, e seu nome provém de um incêndio detectado durante as escavações arqueológicas. Seu uso provavelmente esteve ligado a reuniões de conselhos e oficiais ligados ao setor administrativo da cidade ou a alta elite governante. Havia decorações de procissões com importantes personagens nas faces sul e norte do salão principal, que lembram o Friso dos Caciques, localizados na Pirâmide B. Neste edifício foi localizado o Chac Mool, que atualmente está exposto no museu de sítio. Também foram localizadas algumas oferendas de conchas marinhas e turquesa, dentro de recipientes de cerâmica.

O Palácio Queimado

O Palácio em si é formado por três grandes salas com numerosas colunas adornadas e banquetas (relevo baixo que acompanha a parede). Um pedaço preservado da banqueta representa uma procissão de guerreiros e nobres, seguindo um indivíduo que muito provavelmente era o Rei, vestido como Tláloc, o Deus das Chuvas. É impressionante o número de colunas redonda e quadradas existentes, que deveriam estar cobertas por estuque e ornadas com cores e desenhos sagrados.


TEMPLO DA PIRÂMIDE B

Subir a escadaria da Pirâmide B para visualizar os Atlântes com um céu azul ao fundo foi uma das experiências mais gratificantes que tive em minha vida! O conjunto de estátuas é lindo, imponente! Com expressões austeras, os totens estátuas exigem respeito e submissão.

A Pirâmide B

O termo “Atlânte” é mais uma das bobagens inventadas na modernidade. Não tinham esse nome no passado. Também não se encontravam a vista do povoado na época pré-hispânica, assim como as pilastras com relevos que hoje coroam a pirâmide . Provavelmente serviam de apoio ao teto do templo, que havia na parte superior. As colunas em forma de serpente emplumada se encontravam na entrada do templo, e também são muito bonitas.

As estátuas representam guerreiros toltecas, com seu uniforme formado por peitorais (em forma de mariposa), facas e outras armas, que os distinguiam como militares de alto padrão.

Já as pilastras com relevos trazem em seus grifos, nomes de reis e governantes de Tula. O que tem o grifo em forma de Serpente Emplumada, acredita-se ser o rei sacerdote Topilzín Quetzalcóatl.



PIRÂMIDE C E ADORATÓRIO

A pirâmide C foi o edifício religioso mais importante de Tula. Sua arquitetura revela um contato e continuidade com as pirâmides do Sol e da Lua, existentes em Teotihuacán. Infelizmente, é um dos edifícios mais destruídos da cidade, e deveria ter abrigado em seu cume, estátuas e templo semelhante ao da pirâmide B. Ainda está para ser escavado e restaurado devidamente.

Pirâmide C

Já o pequeno adoratório no centro da praça está alinhado com a escadaria da pirâmide C, e certamente devia ter uma importância em cerimônias e rituais com a grande pirâmide. Em seu formato original, estava coberta por baixos relevos de guerreiros e possuía uma estátua Chac Mool em sua parte superior.

Tivemos a sorte de visitar o conjunto arqueológico de Tula por cerca de 30 minutos, sem a presença de outros turistas. Depois chegaram grupos de estudantes que infelizmente, não respeitavam o silêncio dom lugar, e muito menos as cordas de isolamento das estátuas “Atlântes”. Portanto, faço aqui um apelo: se visitar este local, seja civilizado e evite tocar nos baixos relevos existentes e nas estátuas. Disso depende sua preservação.

Após visitar as ruínas, você pode retornar a portaria, passar pelo estacionamento e seguir a pé até uma avenida de entrada. O trajeto leva 3 minutos. Nessa avenida, passam ônibus que levam você ao centro (Zócalo) e também muitos taxi’s.

Uma última dica: Se pretende almoçar em Tula de Allende, existe um restaurante muito agradável a uma quadra da Praça Central chamado “Los Negritos”. Fomos atendidos por uma simpática senhora, que nos ofereceu “Comida Corrida”, composta por uma sopa de creme de vegetais, arroz, carne enrolada com molho picante, sobremesa de pudim, suco de laranja e pães, por 60 pesos (4,8 dólares). Cada dia o cardápio muda, e tem também o serviço a la carte. Vale a pena! Dali, pode-se ir a pé para o Terminal Rodoviário de Tula, de onde se volta a capital mexicana.

O endereço é:
Restaurante “Los Negritos”
Héroes de Chapultepec, nº 2, Col. Centro
Tula de Allende. Tel (01 773) 7323743
e-mail: los_negritos@hotmail.com

Boa Viagem!