Descoberta de tumba zapoteca é a mais importante do México na última década
Achado excepcional no sul do país revela práticas funerárias, hierarquias e símbolos de poder de uma antiga civilização mesoamericana
Por: Arthur Almeida - 28/01/2026
O governo do México anunciou na sexta-feira (23), a
descoberta de um túmulo
zapoteca de 600 d.C., nos vales centrais do estado de Oaxaca, no
município de San Pablo Huitzo. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa pela presidente do país,
Claudia Sheinbaum Pardo, com base em pesquisas conduzidas pelo Instituto
Nacional de Antropologia e História (INAH), órgão ligado ao Ministério da
Cultura local.
Segundo a presidente, o achado se destaca tanto pelo
excepcional estado de preservação quanto pela quantidade e qualidade das
informações que oferece sobre uma das principais civilizações
mesoamericanas. “Trata-se da descoberta arqueológica mais importante da
última década no México, devido ao seu nível de preservação e às informações
que fornece”, afirma Sheinbaum, ressaltando que o túmulo constitui um
testemunho direto da antiga grandeza cultural do país.
A tumba foi identificada após o INAH investigar uma denúncia
de saque – circunstância que evidencia a fragilidade de muitos sítios
arqueológicos e a importância da atuação rápida das autoridades
para sua proteção. De acordo com os pesquisadores, o conjunto funerário
apresenta uma combinação rara de arquitetura monumental, escultura em pedra e
pintura mural, que permitem aprofundar o entendimento sobre a organização
social, os rituais mortuários e a cosmovisão zapoteca.
Arquitetura simbólica e iconografia de poder
O complexo funerário é formado por uma antecâmara e uma
câmara de sepultamento, ambas ricamente decoradas. O elemento mais marcante
encontra-se na entrada: uma grande coruja esculpida
em pedra, animal que, na tradição zapoteca, simboliza a noite e a morte.
A descrição do local afirma que o bico da ave cobre o rosto
estucado e pintado de um personagem masculino, interpretado como um senhor
zapoteca, possivelmente o ancestral ao qual o túmulo foi dedicado e que atuaria
como intermediário entre seus descendentes e as divindades. Esse destaque dado
à ancestralidade é coerente com práticas conhecidas da elite zapoteca.
Como aponta o portal Ancient Origins, sepultamentos
desse tipo estavam ligados à legitimação do poder político e à construção da
memória coletiva. A iconografia indica que o túmulo foi concebido não apenas
como espaço funerário, mas como um local de comunicação simbólica de status,
autoridade e sacralidade.
O acesso ao interior é delimitado por uma verga encimada por
um friso composto por placas de pedra com inscrições calendáricas. Nas
ombreiras, figuras de um homem e uma mulher, ricamente adornados com toucados e
objetos rituais, aparecem esculpidas em relevo e são interpretadas como
possíveis guardiões simbólicos do recinto.
Rituais preservados
No interior da câmara funerária, os arqueólogos encontraram
fragmentos de uma pintura mural extraordinariamente bem preservada, ainda em
posição original. Executada em tons de ocre,
branco, verde, vermelho e azul, a cena representa uma procissão de personagens
carregando sacos de copal, resina amplamente utilizada como incenso em
cerimônias rituais, que avançam em direção à entrada do túmulo.
A presença de tais pinturas é considerada excepcional, já
que murais costumam ser os primeiros elementos a se degradar após a abertura de
espaços selados por séculos. Por isso, especialistas descrevem o achado como
uma oportunidade rara de observar diretamente práticas rituais, hierarquias
sociais e concepções zapotecas sobre a morte durante o período Clássico
mesoamericano.
Legado zapoteca
Uma equipe interdisciplinar do Centro INAH Oaxaca conduz
atualmente trabalhos de conservação,
proteção e pesquisa no local. Entre as principais preocupações está a
estabilização das pinturas murais, ameaçadas pela presença de raízes, insetos e
pelas mudanças bruscas nas condições ambientais após a exposição do túmulo.
Ao mesmo tempo, estão em curso análises cerâmicas,
iconográficas e epigráficas, além de estudos de antropologia física. Essas
investigações buscam esclarecer quem foi sepultado no local, como se
estruturavam os rituais funerários e qual o significado simbólico dos elementos
arquitetônicos e artísticos presentes no monumento.
Devido à qualidade da construção e à riqueza decorativa, a tumba já é comparada a outros complexos funerários zapotecas de grande relevância nos vales de Oaxaca. Para os pesquisadores, o achado reforça a compreensão de que esses espaços funcionavam como verdadeiros palcos de expressão política, religiosa e artística, nos quais história, poder e crença eram materializados em pedra e pintura.
Fonte: Descobertade tumba zapoteca é a mais importante do México na última década; fotos




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