Nova Iguaçu inaugura primeiro Museu de Arqueologia e Etnologia do estado no Dia da Baixada

Rio. Nova Iguaçu vai ganhar, nesta quinta-feira (30), quando se comemora o Dia da Baixada Fluminense, um reforço de peso na área cultural. A Prefeitura inaugura o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-NI), instalado no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha, em Tinguá. Com o objetivo de preservar, estudar e expor objetos e conhecimentos […]

POR: Redação SRzd - 30/4/2026

Rio. Nova Iguaçu vai ganhar, nesta quinta-feira (30), quando se comemora o Dia da Baixada Fluminense, um reforço de peso na área cultural. A Prefeitura inaugura o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-NI), instalado no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha, em Tinguá. Com o objetivo de preservar, estudar e expor objetos e conhecimentos sobre antigas civilizações e culturas, o equipamento é o primeiro do estado e o quarto do país, juntando-se aos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A escolha de 30 de abril para a inauguração está ligada à criação da antiga Vila de Iguassú, em 1833, considerada o berço da Baixada Fluminense.

“A inauguração deste museu marca um reencontro de Nova Iguaçu com sua própria história. Estamos falando de um território que já foi estratégico para o desenvolvimento do estado e que, por muito tempo, ficou esquecido. Ao transformar esse patrimônio em um espaço vivo de cultura e conhecimento, não apenas preservamos o passado, como também investimos no futuro, principalmente na educação dos nossos jovens, que passam a entender o lugar onde vivem e o valor de sua própria identidade. É um passo importante para colocar Nova Iguaçu no mapa da cultura e da pesquisa no Brasil”, destaca o prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina.

Como forma de resgatar e evidenciar o valor de um território tão importante para a história do estado, a Prefeitura de Nova Iguaçu organizou uma frente inédita de pesquisa, com a criação da Superintendência de Pesquisas Arqueológicas — a primeira com essa finalidade em todo o país —, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura. Essa estrutura permite que o trabalho arqueológico seja realizado de forma contínua e com rigor científico, envolvendo escavações controladas, registro detalhado dos achados, processamento em laboratório e análise de documentação histórica.

O resultado desse esforço já é expressivo. Mais de 200 mil fragmentos arqueológicos foram identificados, em sua maioria referentes ao século XIX, período de maior relevância da antiga vila. Ao mesmo tempo, há potencial para descobertas ainda mais antigas, incluindo vestígios de ocupações pré-coloniais, ampliando a importância do território para além da história local.

É nesse contexto que surge o Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE-NI). Longe de se configurar como um equipamento isolado ou um espaço voltado apenas à reafirmação de narrativas históricas hegemônicas, o museu se insere como parte essencial de um projeto mais amplo, comprometido com a reflexão crítica sobre os diversos processos de construção da sociedade.

“O MAE-NI nasce com a missão de ser um espaço vivo, de produção de conhecimento e de diálogo com a sociedade. Queremos que a população se reconheça nesse acervo, compreenda a riqueza da nossa história e que o museu seja também um polo de pesquisa, educação e valorização da diversidade cultural”, afirma o secretário municipal de Cultura, Marcus Monteiro.

O MAE-NI fica no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha, localizado na Estrada Zumbi dos Palmares, s/n, Barão do Guandu, Nova Iguaçu. Seu horário de funcionamento será de sexta-feira a domingo, das 9h às 17h.

A importância histórica da região

A localização do MAE-NI é icônica, pois o Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha ocupa uma área considerada o marco inicial da formação histórica de Nova Iguaçu. No século XIX, especialmente entre 1833 e 1891, a extinta Vila de Iguassú era um dos principais polos econômicos do café da Província do Rio de Janeiro. A região ocupava posição estratégica no escoamento da produção cafeeira do interior, sobretudo do médio Vale do Paraíba, então principal polo produtor do país. O café, base da economia imperial brasileira naquele período, circulava pela Estrada Real do Comércio, uma das mais importantes rotas logísticas do Brasil Imperial.

Iguassú funcionava como um grande entreposto comercial. As cargas vindas do interior chegavam por via terrestre, eram organizadas na vila e seguiam pelo antigo Porto da Praça do Comércio de Iguassú. A partir dali, o escoamento era feito pelo Rio Iguaçu até a Baía de Guanabara, conectando-se aos principais circuitos de exportação. Esse sistema híbrido (estrada, porto e rio) explica por que Iguassú se consolidou como uma das vilas mais relevantes da província, com comércio ativo, estrutura administrativa robusta e equipamentos públicos importantes, como a Casa de Câmara e Cadeia, o ponto zero da Estrada Real do Comércio e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú.

Com o passar do tempo e a mudança dos eixos econômicos, esse protagonismo foi se perdendo. O município cresceu em outras direções, e aquela área original ficou relegada ao esquecimento. O que não desapareceu, no entanto, foi a diversidade de identidades e memórias que configura o território. Ele permaneceu resiliente por meio de fragmentos, ruínas, cemitérios e marcos que ainda hoje testemunham a formação social, econômica e cultural da região.

Iniciativa é sinônimo de preservação

O MAE-NI não apenas organiza e preserva os acervos arqueológicos ou etnológicos provenientes de pesquisas ou coleções, mas se estabelece como um espaço de mediação e diálogo a partir da relação entre esses acervos e diferentes públicos. Ele se posiciona como um espaço de integração entre ciência, educação e cultura. Trata-se de uma iniciativa pioneira no município de Nova Iguaçu e de grande relevância no estado do Rio de Janeiro, voltada à articulação entre arqueologia, etnologia e políticas públicas de preservação.

Ao dialogar com instituições consolidadas no cenário nacional, como o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR e o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, o museu projeta Nova Iguaçu para o circuito da pesquisa científica e da preservação patrimonial, fortalecendo seu papel no debate sobre memória, território e diversidade cultural.
Mais do que um espaço de exposições, o museu atua como um eixo articulador de experiências, conectando o território local a outras temporalidades e geografias. Embora esteja inserido no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha e dialogue diretamente com seus vestígios, o museu não se restringe à narrativa regional.

Nesse sentido, a visita não se limita à contemplação do acervo, mas se configura como um percurso interpretativo ampliado. Ao transitar entre o espaço expositivo e o território, o público é convidado a observar a paisagem, as ruínas e os sítios arqueológicos, ao mesmo tempo em que é instigado a questionar, refletir e produzir conhecimento de forma crítica.

O conjunto representa um movimento estratégico para o município. Do ponto de vista cultural, resgata e valoriza a identidade histórica da Baixada Fluminense, frequentemente invisibilizada. No campo educacional, possibilita aprendizados mais afetivos e acolhedores relacionados à memória e à identidade. Já sob a ótica econômica, abre caminho para o desenvolvimento do turismo cultural, mesclando patrimônio e meio ambiente, posicionando Nova Iguaçu de forma diferenciada no estado do Rio de Janeiro.

Primeira exposição

A exposição inaugural, intitulada “Raízes Ancestrais – A construção da nação brasileira”, apresenta uma ampla narrativa sobre a trajetória da humanidade. O percurso expositivo vai desde os primeiros hominídeos e os períodos Paleolítico, Mesolítico e Neolítico, passando pela Antiguidade Clássica, até chegar aos povos originários do Brasil e à formação histórica local, abrangendo acontecimentos até o século XIX.

A mostra reunirá peças com mais de 800 mil anos, além de parte dos mais de 200 mil fragmentos arqueológicos já retirados do solo do parque pela equipe da Superintendência de Pesquisas Arqueológicas. Um setor específico da exposição será dedicado aos achados locais, com peças selecionadas que integram o catálogo de inauguração.

Todo o material passa por um rigoroso processo técnico em laboratório próprio, onde é lavado, higienizado, catalogado e estudado. Cada fragmento recebe identificação detalhada, com informações sobre profundidade, localidade e georreferenciamento. O trabalho envolve equipes de escavação, conservação e curadoria, que também atuam na recomposição de peças e na análise de suas características históricas.

A criação do MAE-NI é resultado de uma iniciativa da Prefeitura de Nova Iguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Governo Federal, via Ministério da Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A realização envolve ainda parcerias com instituições e produtores culturais, como a Casa do Conhecimento e a Yesod Produções, responsável pela exposição inaugural.

Fonte: NovaIguaçu inaugura primeiro Museu de Arqueologia e Etnologia do estado no Dia daBaixada

 

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