segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Cidade inca descoberta embaixo de Santiago do Chile


Visão aérea de Santiago, Chile, em 29 de janeiro de 2013 (Pablo Porciuncula/AFP/Getty Images)
Investigadores chilenos recuperaram objetos arqueológicos, mapas e escritos que demonstram que a capital chilena de Santiago foi fundada num centro urbano inca.
Esta teoria existe há décadas, mas faltava evidência para prová-la, assim, Rubén Stehberg, um arqueólogo do Museu Nacional de História Natural do Chile, e Gonzalo Sotomayor, um pesquisador da Universidade Andrés Bello, decidiram encontrar evidências.
Os pesquisadores desenterraram documentos coloniais e mapas publicados e não publicados que fornecem forte evidência de um importante centro da civilização inca já existente no local de Santiago quando os espanhóis chegaram.
Stehberg e Sotomayor inclinaram a balança em favor da visão de que Santiago teria sido um centro inca, ao invés de uma terra relativamente subdesenvolvida e construída pela colonização espanhola.
Não muito longe do rio Mapocho havia uma praça pública ladeada por sinais de uma próspera civilização – casas, armazéns, valas e canais – a sede do poder de onde o governador inca Quilicanta reinou em tempos protohistóricos (um período pouco antes do início da história registrada de uma cultura). Esta é a visão elucidada pelo relatório de Stehberg e Sotomayor que foi publicado em janeiro.
Em 1541, a expedição comandada por Pedro de Valdivia reivindicou o local e estabeleceu a colônia espanhola de Santiago.
“Há existência de que este importante povoado inca nas margens do rio Mapocho [Santiago] tinha um avançado sistema de irrigação e uma população indígena abundante”, diz o relatório publicado no Museu Nacional de História Natural do Chile. “Isto rapidamente convenceu Pedro de Valdivia e seus homens a se estabelecerem na área”, que mais tarde foi chamada “Santiago da Nova Estremadura”.

Os pesquisadores também contribuíram para o debate de décadas com uma nova referência histórica, um “grande tambo, que fica ao lado da praça da cidade”, sendo ‘tambo’ um termo inca para edifício administrativo. Ele estaria no mesmo lugar em que os europeus estabeleceram sua praça principal, a Praça de Armas.
O relatório reconhece que é possível que os espanhóis tenham construído este “tambo” e que a referência inca seja a uma estrutura espanhola, mas esta também poderia ser interpretada como uma estrutura inca tomada pelos europeus.
A evidência arqueológica foi encontrada sob a superfície da metade sul da bacia do rio Mapocho.
Alguns dos achados são de um local na esquina das ruas Catedral e Matucana em Santiago. Cinco sítios funerários, com 22 vasos de cerâmica inca foram exumados em 2001.
Cronistas citados explicavam os ritos funerários incas: os mortos são vestidos com as roupas “mais íntimas que tinham” e em suas mãos são colocadas milho, feijão, pedaços de abóbora e sementes. Eles são embalados com cordas e colocados no chão com jarros, potes e tigelas.
Ao datarem os túmulos, os arqueólogos descobriram que eles fornecem fortes evidências da existência da cidade inca antes da chegada dos europeus na área, segundo o relatório.
Stehberg e Sotomayor coletaram muitas descrições de valas e canais incas, juntamente com mapas. Os pesquisadores também fizeram referência ao historiador Gerónimo de Vivar, que foi testemunha ocular do estabelecimento de Santiago enquanto companheiro de Pedro de Valdivia.
“Dom Pedro teve a intenção de popular uma cidade como Cusco nas margens do rio Mapocho, onde os índios poderiam vir e servir”, escreveu Vivar. A cidade inca corresponde a essa descrição, concluíram Stehberg e Sotomayor.

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