domingo, 12 de maio de 2013

Maias e Olmecas podem ter sido civilizações irmãs

Autor: Anastasia Gubin

O conhecimento usado para construir as cidades da Bacia do Mirador na Guatemala “é totalmente autóctone, é original maia” e tem um antiguidade de 3 mil anos
O arqueólogo Richard Hansen da Universidade do Estado de Idaho, EUA, nos trabalhos de preservação da Estrutura 34 da cultural maia de Mirador, Guatemala (Global Heritage Fund)
Muito tem sido discutido nesses dias sobre a origem da civilização maia e sua relação com a cultura olmeca. Neste aspecto, o arqueólogo Richard Hansen, diretor do Projeto Mirador, desenvolvido na região norte da Guatemala onde se concentra o maior número de cidades do período pré-clássico, crê que estas duas culturas tenham sido irmãs e que viveram em parte na mesma época, segundo deduzido de datações dos últimos descobrimentos na Bacia do Mirador.

O Dr. Hansen, professor-associado do Instituto Mesoamericano de Investigação do Departamento de Antropologia da Universidade do Estado de Idaho, nos Estados Unidos, e presidente da FARES (Fundação para a Pesquisa Antropológica e Estudos Ambientais), conhece a região maia desce 1968.

Por décadas ele tem trabalhado na região, onde já mapeou 51 cidades maias do imponente período pré-clássico, considerado o berço da civilização maia.
O conhecimento usado para construir estas cidades “é totalmente autóctone, é original maia”, disse Richard Hansen em declaração ao Epoch Times.
“Mas pelo que fizeram, aparentemente, eles tinham conhecimento dos olmecas, porque conceberam (as construções) ao mesmo tempo. Os olmecas foram a cultura-mãe, mas também representam uma cultura irmã”, disse o arqueólogo.
De acordo com as versões acadêmicas da Guatemala, acredita-se que os primeiros povoadores do período pré-clássico maia, desde o leste de Oaxaca até El Salvador, são provenientes dos ancestrais mixes, zoques e popolucas.
Uma teoria diz que eles migraram no ano de 1200 a.C. para o Golfo do México para desenvolver a cultura olmeca. Neste sentido, algumas das datações mais recentes revelam que os olmecas de San Lorenzo no México se desenvolveram nesse lugar há milhares de anos a.C.
Teorias complementares dizem que os descendentes dos olmecas migraram para o Petén na Guatemala e se misturaram com os residentes locais, criando as monumentais cidades da Bacia, como Nakbé de 1000 a.C., cidade escavada pelo Projeto Mirador, destaca um informe da Universidade de San Carlos da Guatemala.
Arqueólogos da Universidade do Arizona estão considerando a opção de que os maias desenvolveram seus primeiros sítios nas selvas da Guatemala e no sul do México e a opção de que a civilização maia foi a fusão de ambas as civilizações da cidade de La Venta. Mas, para os arqueólogos, nenhuma das duas teorias é completa, assinala um comunicado.
“Temos essa ideia da origem da civilização maia e do desenvolvimento indígena e temos outra ideia de que foi uma influência externa que provocou a complexidade social da civilização maia. Pensamos que na realidade não é preto ou branco”, disse Victor Castillo, um estudante de pós-graduação em antropologia pela Universidade do Arizona e coautor de um estudo publicado recentemente sobre Ceibal, outra cidade maia fora da Bacia do Mirador.
O estudo da Universidade do Arizona, assim como o do Dr. Richard Hansen, confirma haver semelhanças entre os sítios maias e olmecas, mas a cultura maia mesoamericana tem características únicas.
As cidades maias da Bacia do Mirador cresceram e se desenvolveram com estradas para manter um corredor comercial que se estendia desde Belize, passava pela Bacia na Guatemala e chegava a Chiapas no México. Segundo o arqueólogo Richard Hansen, possivelmente as 51 cidades maias investigadas da Bacia do Mirador teriam estradas interligadas, com 40 a 50 metros de largura e seis de altura.
No período clássico maia, quase todos os sítios do norte de Petén mostram evidências de conflitos sócio-políticos no século VIII, incluindo Belize e Yucatán, após o abandono das cidades no século IX atingidas pela grande seca que arruinou o império.
No entanto, ao final do período pré-clássico tardio em 150 d.C, as cidades maias do Mirador também sofreram abandono. Postulou-se que a causa foram guerras endêmicas, no entanto, populações agrícolas continuaram subsistindo nas áreas rurais por um tempo até desaparecerem, incapazes de manter qualquer construção permanente.
Estudos do Projeto Mirador revelam que uma grande seca atingiu a região provocando o colapso dos recursos, que se conhece como o colapso pré-clássico de 150 d.C.
Os antropólogos acreditam que na Bacia de Mirador predominava o grande Reino Kan, monarca que também foi identificado num glifo com a cabeça de uma serpente, que centenas de anos mais tarde, no período clássico, também foi identificado como o emblema das terras baixas da Bacia. Sua dinastia iria do período pré-clássico até o declínio da civilização maia.
O Reino Kan dominou a área de Petén durante o período pré-clássico tardio, mas entre os anos 350 a.C. e 150 d.C., a cidade de El Mirador foi abandonada por falta de água e recursos. A devastação causada pelos maias em suas florestas nativas teria provocado a destruição do ecossistema e a consequente seca.
Os maias costumavam queimar madeira verde junto com pedras de calcário para produzirem uma areia e renovarem seus estuques coloridos que decoravam todos seus edifícios imponentes. Além disso, sua produção agrícola era importante. Isso teria levado ao esgotamento das florestas e a consequente morte das espécies de plantas, insetos e animais que geravam vida na região.
Para o Dr. Hansen, não foi o uso da madeira, mas “o abuso” que causou o colapso dos maias.
Por causa do colapso maia, o povo da Bacia mudou-se para a costa do Caribe, segundo o arqueólogo, e mais tarde, no período clássico inicial dos maias, Tikal (fora da Bacia do Mirador) tornou-se a principal cidade.
Neste período, o centro de poder do Reino Kan transladou-se para Dzibanche, em Quintana Roo, México, para mover-se mais tarde para Calakmul, em Campeche, México.
Tikal e Calakmul expandiram seus domínios e então iniciou-se uma luta de poder entre os dois no século VI. Calakmul acabou sendo derrotada duas vezes por uma Tikal fortificada nos anos 695 e 743 d.C. A cultura maia sobreviveu até o final do século IX d.C.

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