domingo, 6 de abril de 2014

CONSUMO DE NICOTINA REVELADO EM MÚMIAS CHILENAS


Cabelos de múmias da cidade de San Pedro de Atacama, no Chile, revelam que pessoas da região tinham o hábito de consumir nicotina desde pelo menos 100 a.C a 1450 d.C.

Segundo os pesquisadores o consumo de nicotina ocorreu em toda a sociedade, independentemente do status social e riqueza.

A descoberta refuta a visão popular de que a população que viveu nesta região fumaram tabaco por apenas um curto período de tempo antes de passarem para inalantes alucinógenos.

“A idéia era que cerca de 400 dC, as pessoas em San Pedro de Atacama fumavam tabaco em cachimbos, e, em seguida, após esse tempo, eles gradualmente passaram a inalar dimethyltryptamines em bandejas para inalação”, disse o co-autor Hermann Niemeyer, químico orgânico da Universidade do Chile, em Santiago.

Fumo e inalação
A prática de fumar e inalar alucinógenos estava profundamente enraizado na cultura e no pensamento de muitas sociedades pré-hispânicas. Nos Andes centro-sul existem duas fontes vegetais de compostos alucinógenos: espécies de Nicotiana (tabaco), contendo nicotina, e espécies de Anadenanthera (cebil), contendo tryptamina.

Cachimbo para fumo de tabaco utilizado tanto por pessoas de elite quanto não elite

“A idéia que mais frequentemente se lê é que [os alucinógenos] foram utilizados principalmente pelos xamãs”, disse Niemeyer à LiveScience. Os feiticeiros às vezes utilizavam essas plantas como compostos psicoativos para se conectar com os deuses e espíritos do além. Em concentrações mais baixas as substâncias se tornavam os ingredientes para remédios contra doenças, problemas de sono e outros distúrbios. “Os xamãs deveriam não só curar as coisas diretamente usando algo que atacasse a doença, mas também pelo contato com os espíritos através de cerimônias”, disse Niemeyer.

Bandejas para inalação de pó alucinógeno utilizados principalmente por xamãs.

Evidência no cabelo de múmias
Os pesquisadores analisaram amostras de cabelo de 56 múmias do período Formativo tardio ao período intermediário tardio (100 aC a 1450 dC).

As múmias, Niemeyer explicou, estavam em boas condições, preservadas naturalmente das altas temperaturas, extrema secura e alta salinidade do solo no deserto de Atacama. Dependendo do sítio, as múmias eram ou enterradas no solo ou em “algum tipo de ambiente de pedra feito para elas.”

Uma gama de diferentes objetos foram enterrados junto com as múmias, como jóias, armas, objetos de cerâmica, metais, tecidos, vasos e vários apetrechos para inalação, como bandejas e tubos. Os pesquisadores usaram o número e tipo de objetos associados como referência do status social e de riqueza das múmias.

Tubos para inalação de composto alucinógeno

A equipe descobriu nicotina no cabelo de 35 múmias, abrangendo todo o período estudado. “A descoberta de nicotina foi definitivamente inesperado“, disse Niemeyer. No registro arqueológico de San Pedro de Atacama, cachimbos são gradualmente substituídos por bandejas de pó inalador depois de cerca de 400 dC – estudos anteriores encontraram evidências de nicotina em cachimbos, mas não em pó inalador ou na parafernália para inalação, que estavam geralmente associados com alcalóides tryptamina.

A equipe não encontrou vestígios de alcalóides tryptamina nas amostras de cabelo, mas isso não significa necessariamente que as pessoas não consumiam os compostos de cebil. “Quando você inala dimethyltryptamines, o corpo se encarrega de destruí-lo antes que ele chegue para os folículos pilosos”, disse Niemeyer.

Os traços de nicotina não foram relacionados à presença da parafernália de inalação nas tumbas, sugerindo que os xamãs, tipicamente associadas com esses objetos, não foram os únicos a consumir esses alcalóides psicoativos.

Além disso, também não estava relacionado com a diversidade de objetos funerários ou a presença de colares de pedras preciosas. Os resultados, que serão detalhados na edição de outubro de 2013 do Journal of Archaeological Science, sugerem que o consumo de nicotina na San Pedro de Atacama pré-hispânica ocorreu continuamente por centenas de anos e foi realizada por pessoas de todos os status sociais e riqueza, disse Niemeyer.
Fonte: Live Science

Fonte: http://arqueologiaeprehistoria.com/tag/chile/

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