sábado, 20 de fevereiro de 2016

Os principais sítios arqueológicos pré-coloniais do Brasil (Parte 02)

Este artigo foi escrito por Joelza Ester Domingues

MATO GROSSO
O estado do Mato Grosso tem 792 sítios arqueológicos cadastrados, mas somente um deles foi tombado pelo IPAHN: a caverna Kamukuaká, no município de Parantinga, junto, mas fora dos limites, do Parque Nacional dos Guimarães. Trata-se de um sítio arqueológico vivo, que conta com os relatos dos descendentes indígenas Waurás para a interpretação dos materiais encontrados. A caverna, considerada sagrada pelos Waurás por ser a morada dos espíritos ancestrais, tem pinturas rupestres e esculturas usadas em ritos xamânicos. Ali são realizados os rituais de furação de orelha e tem início o ritual do Kuarup. O sítio arqueológico de Santa Elina, no município de Jangada vem sendo pesquisado desde 1984 por arqueólogos da Universidade de São Paulo e do Museu Nacional de História Natural de Paris. É considerado o terceiro mais antigo das Américas, com 27 mil anos AP. O primeiro é o Boqueirão da Pedra Furada, no Piauí, com 50 mil anos; o segundo é Monte Verde, no Chile, com 30 mil anos. Nas escavações foram encontradas mais de mil pinturas rupestres, 800 fragmentos de preguiça gigantes, restos de fogueira e mais de 25 mil artefatos que comprovam a presença humana.

Petroglifos de Paranaíta, Mato Grosso. Image via Ensinar Historia.

Nas cercanias da cidade de Barra do Garças há muitas cavernas, abrigos e rochas com pinturas rupestres que mostram figuras abstratas, humanas ou o que parecer ser astros como os cometas azuis, do Abrigo da Serra da Estrela Azul e as estrelas-sóis avermelhadas, da Gruta do Moreti, no distrito de Vale dos Sonhos. No município de Cárceres encontram-se outros sítios arqueológicos às margens do rio Paraguai e, inclusive, no perímetro urbano, os sítios Carne Seca e Bairro Cavalhada. Ali foram encontrados urnas funerárias, ferramentas de trabalho e vestígios dos Xarayés, etnia indígena já extinta. O sítio arqueológicoPedra Preta, no município de Paranaíta, no extremo norte de Mato Grosso é composto por um afloramento rochoso, que chega a 37 metros de altura. Nele foram gravados monumentais painéis de petróglifos, inscrições rupestres: são desenhos geométricos, figuras humanas ou animais de grandes dimensões. Mais informações sobre esses e outros sítios arqueológicos brasileiros, veja no Portal Mato Grosso, aqui.

MINAS GERAIS
O estado de Minas Gerais possui milhares de sítios arqueológicos pré-coloniais. Ali ocorreram as primeiras pesquisas arqueológicas do Brasil, graças ao trabalho do dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801-1880). Em 1843, este pesquisador pioneiro encontrou ossadas humanas misturadas com as de animais desaparecidos nas cavernas de Lagoa Santa. O chamado “homem de Lagoa Santa” teria vivido na América do Sul entre 12 e 8 mil anos atrás e apresentava características físicas bem diferentes das dos índios atuais. Na década de 1970, no abrigo número IV da Lapa Vermelha, município de Confins, foi descoberto o crânio de Luzia, o mais antigo fóssil humano. Em Santana do Riacho, na Serra do Cipó, foi encontrada a maior coleção de esqueletos o que contribuiu para o estudo biológico das primeiras populações americanas, além de grande quantidade de material lítico: lascas de quartzo, anzóis e contas de osso para colares, restos alimentares de animais de pequeno e médio porte.

O vale do rio Peruaçu, no extremo norte de Minas Gerais, é outro importante sítio arqueológico com mais de 140 cavernas. No abrigo Lapa do Boquete encontraram-se espaços reservados às fogueiras alimentares, cheias de conchas de moluscos aquáticos e de coquinhos queimados. A Lapa da Cerca Grande, em Matozinhos, é uma ampla gruta com 2 km de comprimento, com sete entradas e treze aberturas para luz externa. Especialistas que realizaram estudos na região encontraram cerca de 300 figuras, além de vestígios arqueológicos, como um esqueleto em posição sentada com a cabeça entre os joelhos. Além disso, foram descobertas também evidências de cultura indígena pré-cerâmica. Mais recentemente, iniciaram-se os trabalhos de investigação na Serra da Moeda, entre as bacias dos rios Paraopeba e das Velhas, que possui vestígios de ocupação humana pré-histórica (sepultamentos e abrigos com pinturas rupestres) e histórica, sendo esta datada a partir de fins do século 17, em função da exploração das jazidas minerais.

PARÁ

https://youtu.be/oQFkXGpWLP4

O sítio arqueológico Caverna da Pedra Pintada, no município de Monte Alegre foi estudado pela antropóloga Ana Roosevelt entre 1990 e 1992. Contêm pinturas rupestres entre 10 e 11.200 anos AP, retratando plantas, animais e até cenas de um parto. Foram encontrados também restos de cuias e fragmentos de cerâmica com até 7.600 anos de idade, a mais antiga das Américas, com o dobro de idade das de Santarém, ditas como as mais antigas do Brasil. A descoberta do sítio revolucionou os estudos arqueológicos pois recuou a data de povoamento da América e demonstrou que a floresta tropical, fechada e úmida, não foi obstáculo à ocupação humana como, até então, se suponha. Ao contrário, os pesquisadores têm encontrado evidências de que a Amazônia teve uma densa população de caçadores, pescadores e coletores.

PARAÍBA

Pedra do Ingá, Paraíba. Image via Ensinar Historia.

Entre os 149 sítios arqueológicos do estado, a Pedra do Ingá, no município de mesmo nome, é um dos mais importantes do Brasil. Foi tombado como patrimônio cultural pelo Iphan em 1944. É um monumento identificado como itacoatiara, palavra indígena que significa “pedra pintada”: uma formação rochosa com 24 metros de comprimento e 3 metros de altura coberto com inscrições rupestres em baixo-relevo (petróglifos) de grande complexidade. As gravações têm 3 a 7 milímetros de profundidade. Não se sabe o que elas significam nem a data em que foram feitas e por quem. Recentemente foi encontrado outro sítio arqueológico bastante relevante no município de Pilões – um cemitério indígena da tradição Aratú.

PERNAMBUCO

Vale do Catimbau, Pernambuco. Image via Ensinar Historia.

O Patrimônio Arqueológico de Pernambuco possui 506 sítios arqueológicos cadastrados. Destaca-se o Parque Nacional do Vale do Catimbau, localizado no município de Buique, que abriga importante conjunto de pinturas rupestres datadas de 6 mil anos. O Vale do Catimbau, com 62 mil hectares, só perde em extensão para o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.

PIAUÍ

Pedra Furada, Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí. Image via Ensinar Historia.

Criado em 1979, o Parque Nacional da Serra da Capivara ocupa uma área de 135 mil hectares abrangendo os municípios de Canto do Buriti, Coronel José Dias, São João do Piauí e São Raimundo Nonato. Trata-se de um verdadeiro museu arqueológico a céu aberto. Em 2012, estavam cadastrados 1.028 sítios arqueológicos com pinturas rupestres. Mas esse número aumenta anualmente com novas descobertas. As pinturas mais antigas estão no sítio Toca do Boqueirão da Pedra Furada, com quase 30 mil anos. Em outros lugares elas tem entre 18 mil e 6 mil anos. Os restos humanos mais antigos encontrados são um esqueleto de uma mulher adulta de 9.670 anos. O parque foi criado graças ao trabalho da arqueóloga Niède Guidon que hoje dirige a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), instituição responsável pelo manejo e pesquisas do parque. Em 1991, foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e, em 1993, reconhecido como patrimônio nacional. Apesar da dificuldade em se chegar ao local (o prometido aeroporto nunca saiu do papel), a cidade de São Raimundo Nonato oferece uma boa estrutura aos turistas com hotéis, pousadas e restaurantes. O parque possui todos serviços para atender os visitantes e fornece guias com formação superior em arqueologia. O acesso às pinturas é feito por meio de passarelas e escadas.

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/781740/sitios-arqueologicos-pre-coloniais-no-brasil (09/02/2016)

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