quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Estudos apontam novas hipóteses

Foto: fernando brito

A arqueóloga Niède Guidon, que atua no Piauí, é coautora da pesquisa que saiu na “Science”

São Paulo. Povos indígenas da Amazônia e do cerrado carregam em seu DNA as marcas de um parentesco insuspeito com aborígines da Austrália e nativos de Papua-Nova Guiné. O resultado, que aparece de forma independente em dois estudos divulgados ontem, reforça a ideia de que o povoamento original do continente americano foi muito mais complexo do que os arqueólogos costumavam imaginar.

A questão é como explicar tal complexidade. Enquanto uma das pesquisas diz que duas populações diferentes se misturaram logo no início da presença humana nas Américas, outra defende uma única grande onda migratória no começo, com a vinda posterior de grupos aparentados aos povos da Oceania.

Os levantamentos estão na “Science” e na “Nature”, as duas maiores revistas científicas do mundo, e ambos têm participação de pesquisadores brasileiros. No caso da “Science”, a arqueóloga Niède Guidon, da Fundação Museu do Homem Americano (PI), é coautora da pesquisa. O estudo da “Nature”, por sua vez, teve participação de Tábita Hünemeier, da USP, Francisco Salzano e Maria Cátira Bortolini, da UFRGS, e Maria Luiza Petzl-Erler, da UFPR.

Eles compararam centenas de milhares de pequenas variantes genéticas dos indígenas da América do Sul e da América Central com variantes equivalentes de outras populações espalhados por todo o mundo. O resultado aponta que justamente os povos da Oceania apresentam sutis semelhanças genéticas com os nativos de regiões brasileiras: os suruís e karitianas (grupos de Rondônia) e os xavantes (de Mato Grosso). Os povos da Oceania têm características vagamente africanas, como a pele negra e o formato do crânio.

Não se trata, porém, de dizer que os xavantes são “negros”. O que os autores do estudo propõem é que o grupo que daria origem aos povos da Oceania passou por episódios de miscigenação com tribos de aparência “asiática”. Essa população já híbrida é que teria chegado aqui e, uma vez misturada a uma nova onda siberiana, gerou os índios modernos. A contribuição “oceânica” original, entretanto, não teria passado de uns 2% do total da herança genética dos indígenas amazônicos de hoje.

A pesquisa traz dados novos para uma polêmica que se arrasta desde o fim dos anos 1980: saber se a mais antiga brasileira, a célebre Luzia, que morreu há 11,5 mil anos em Lagoa Santa (Minas Gerais), de fato representa uma população primitiva com traços “negros”.

Fonte: Diário do Nordeste

http://boainformacao.com.br/mundo/estudos-apontam-novas-hipoteses/ (22/07/2015)

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