quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Estudo inédito com Terra Preta de Índio da Amazónia

Zonas arqueológicas relacionadas a povos ancestrais pré-colombianos.

Estudos em solos caracterizados como Terra Preta de Índio, também chamada de Terra Preta Antropogénica, são uma actividade inédita e envolvem 14 instituições de investigação e universidades do Brasil e do exterior. O trabalho de campo está a ser realizado no campo experimental da Embrapa Amazónia Ocidental, localizado no município de Iranduba (AM).

Siu Mui Tsai é uma das cientistas a cargo do projecto, do Laboratório de Biologia Celular e Molecular do Centro de Energia Nuclear da Agricultura (Cena), e explicou que a participação da entidade se deve ao seu privilegiado “conhecimento e competência no que se refere aos aspectos da acção da microbiota do solo”.

As Terras Pretas de Índio (TPI) são sítios arqueológicos encontrados principalmente na Amazónia, com origem relacionada a povos ancestrais pré-colombianos. São solos caracterizados pelo grande acumular de matéria orgânica, com grande disponibilidade de nutrientes como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono, por isso são considerados os mais férteis do mundo, além de conservarem a sua fertilidade por muito tempo.

“Este tipo de solo é completo, extremamente auto-sustentável para a agricultura. A partir do estudo das terras pretas, é possível desenvolver técnicas para reproduzir uma fertilidade semelhante a essa”, assinalou ainda a investgadora da universidade de São Paulo, informando ainda que, especificamente para o Cena, o estudo serve para o conhecimento nas áreas de química, física e microbiologia desses solos tropicais produzidas pelos povos indígenas da Amazónia.

As actividades no campo da Embrapa envolvem uma equipa de 40 pessoas, que desenvolverão trabalhos práticos e teóricos de prospecção pedológica (estudo dos solos) e arqueológica. Na pedologia, são estudados os solos em seu ambiente natural e na arqueologia, as culturas do passado a partir da análise de seus vestígios materiais.

Também participam do estudo investigadores do Serviço Geológico do Brasil, Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, Museu Paraense Emílio Goeldi, Esalq/USP, Universidade do Estado do Amazonas, Universidade Federal do Amazonas, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade de Wageningen (Holanda).

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=50354&op=all (03/08/2011)

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