segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cemitério indígena é destruído

Sítio de 700 anos, em Manaus, tinha mais de 200 vasos funerários

Um tesouro de mais de 700 anos desaparece sob a erosão e o descaso. Um cemitério indígena, encontrado em 2001 no bairro Nova Cidade, em Manaus, está praticamente destruído. Na época, o sítio arqueológico foi descoberto em função de uma terraplanagem para a construção de um conjunto habitacional, na região Norte da Capital do Amazonas.

Quando urnas funerárias apareceram nas primeiras escavações, a área foi interditada. Na época, cerca de 200 vasos foram mapeados e 13 deles exumados, segundo informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Mas de nada adiantou. Segundo Sócrates Paiva, um morador da região inconformado com a destruição do patrimônio histórico, o lugar “está totalmente abandonado, à mercê de vândalos”. E ele, sinceramente, pergunta: “Quero saber se dessa vez será feita alguma coisa”.

Isso porque a camada superior de terra foi removida do local, e a erosão e o acesso de curiosos já cuidaram de destruir a maioria das peças ainda enterradas. “Entre 2001 e 2004, 140 recipientes foram perdidos pela erosão”, diz Francisco Pugliese, arqueólogo do Iphan.

Proprietária da área e responsável pela obra, a Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) do Amazonas informa que o caso está parado na Justiça desde 2004.

Para a arqueóloga Helena Lima, que explorou o cemitério no contexto do Projeto Amazônia Central, um programa de estudo da região, só não dá o local como totalmente perdido porque ainda poderia servir para que os cientistas estudem os efeitos que a retirada da camada superior de terra pode causar a sítios como este.

A pesquisadora nota que o sítio é único porque se encontra em terra firme: “É muito relevante porque normalmente os grandes sítios se encontram em lugares adjacentes aos grandes cursos d’água”.

Embora o cemitério não tenha passado por datação com a técnica do carbono 14, sabe-se que ele existe há mais de 700 anos porque as cerâmicas ali encontradas são de estilo conhecido pelos historiadores como “Paredão” (que corresponde ao período entre os séculos 7 e 13). Ou seja, antes da chegada dos europeus ao Brasil.

Fonte: http://eptv.globo.com/emissoras/ (04/06/2010)

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