segunda-feira, 28 de março de 2011

Estudo defende preservação de sítios arqueológicos em Jequitaí

Pintura rupestre danificada por ações de vandalismo e Sítio Arqueológico da Lapa Pintada. Divulgação/Unimontes.

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) sugere o tombamento estadual do patrimônio arqueológico em Jequitaí, no Norte de Minas.

Os principais objetivos seriam a preservação e desenvolvimento do potencial turístico regional e a realização de trabalhos consequentes de identificação pré-histórica. O estudo foi elaborado pelo acadêmico Thiago Pereira, do oitavo período de História e bolsista de Iniciação Científica Voluntária (ICV) da Unimontes, como tese de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

O campo da pesquisa “A proteção do Patrimônio Arqueológico de Jequitaí”, iniciada em 2007, foi o sítio arqueológico da Lapa Pintada, às margens do rio Jequitaí (afluente do São Francisco), a 2,6 quilômetros da sede do município. Além das riquezas naturais, o município apresenta vestígios de habitação, líticos (rochas) e ossos, além dos grafismos de animais, armas e seres humanos em suas pinturas rupestres. A professora Marta Verônica Vasconcelos Leite orientou o estudo.

O interesse pelo local surgiu a partir do flagrante de ações de vandalismo sobre as pinturas rupestres em Jequitaí. “No Projeto Crescer realizávamos duas visitas a cada semana em Jequitaí e tive a oportunidade de conhecer o sítio da Lapa Pintada. As pinturas primitivas estavam danificadas com carvão e tinta. Assim, surgiu a oportunidade de desenvolver uma pesquisa para preservar e promover o patrimônio arqueológico, além de divulgá-lo”, contou o pesquisador.

Conforme a pesquisa, o município de Jequitaí possui outros dez sítios arqueológicos catalogados no Sistema de Gerenciamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas que ainda necessitam de estudos e pesquisas mais intensas acerca do potencial arqueológico.


Intercâmbio
O estudo teve como consequência a aproximação a outros centros de Minas Gerais, como o Museu de História Natural da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e, em especial, ao professor André Prous. Francês de nascimento, ele está entre as maiores autoridades do assunto no Brasil e há mais de três décadas desenvolve trabalhos fundamentados na pré-histórica na região norte de Minas.

Outro reforço para a repercussão do projeto foi o recente encontro com a arqueóloga Niède Guidon, especialista de renome internacional responsável pelo reconhecimento do Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, no Piauí. Entre janeiro e fevereiro, em ações extensionistas naquele estado, uma equipe de acadêmicos, professores e egressos da Unimontes esteve visitando o local. Na área, se encontra o mais importante patrimônio pré-histórico do Brasil. Atualmente, Niède dirige a Fundação Museu do Homem Americano, instituição responsável pelo manejo do parque, que detém o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

Maior demanda
Conforme a pesquisa, o sítio arqueológico do município de Jequitaí, a 90 quilômetros do campus-sede da Unimontes, pode concentrar um dos mais consideráveis acervos rupestres de Minas Gerais e do país. “Pela demanda de tempo, nem todos os sítios pré-históricos existentes na região foram visitados, razão pela qual optamos pela metodologia micro-histórica, concentrando nossas ações na Lapa Pintada”, acrescentou Thiago Pereira.

Para ele, Jequitaí, como todo o Norte de Minas Gerais, possui potencialidades consideráveis para as pesquisas arqueológicas, tanto em áreas conhecidas nacionalmente, como o Parque Nacional do Vale do Peruaçu, como em áreas ainda não tão estudadas, como em Coração de Jesus e Montes Claros. “Necessita, portanto, de preservação para estudos e pesquisas permanentes”, concluiu.

Publicações
Além de sua apresentação para a comunidade acadêmica, na forma de pôsteres, artigos e resumos em congressos, a pesquisa “A proteção do Patrimônio Arqueológico de Jequitaí: o sítio da Lapa Pintada” mereceu destaque em publicações especializadas de todo o país e ainda na Revista de Arqueologia Comechingonia da Universidade Nacional de Córdoba (Argentina). O trabalho do acadêmico Thiago Pereira também foi apresentado no XVIII Seminário de Iniciação Científica da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e citado em artigo pela professora Anna Donard, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Fonte: http://www.farolcomunitario.com.br/mg_005_1424-estudo-defende-preservacao-de-sitios-arqueologicos-em-jequitai.php (23/03/2011)

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