Tumba de 600 anos encontrada no Peru contém restos mortais e tesouro intactos

Mausoléu associado à elite Chimú preservou restos humanos, metais preciosos, joias, tecidos e cerâmicas, oferecendo uma rara oportunidade de estudar os rituais funerários de uma sociedade pré-inca; veja vídeo

Por Arthur Almeida - 15/09/2026

Uma tumba de cerca de 600 anos contendo os restos mortais de pelo menos 38 pessoas foi descoberta em Chan Chan, antiga capital da civilização Chimú, no norte do Peru. O mausoléu guardava ainda objetos de cobre e ouro, armas de metal, joias ornamentadas, tecidos coloridos e cerca de 200 vasos de cerâmica preta com pigmentos vermelhos.

O estado de preservação do conjunto é considerado excepcional porque a estrutura permaneceu praticamente intacta até as escavações realizadas neste ano no local. “Temos a oportunidade de estudar os indivíduos e os artefatos tal como foram depositados. Isso representa um valor excepcional para a arqueologia peruana”, afirma o arqueólogo Jorge Meneses, um dos responsáveis pelo projeto, em entrevista à AFP.

Tumba destinada à elite

O mausoléu fica no complexo Utzh An, dentro da cidadela de Chan Chan, próxima à atual cidade de Trujillo. Sua entrada estava coberta por camadas de areia, terra e pedra, o que contribuiu para proteger a estrutura durante séculos.

Uma escadaria leva à câmara central, que mede aproximadamente 1,2 metro de largura por 4,9 metros de profundidade. Nela, os arqueólogos encontraram os restos de um indivíduo que parece ter ocupado posição de destaque dentro da estrutura. O crânio apresentava vestígios de um pigmento vermelho possivelmente identificado como cinábrio, um mineral composto por sulfeto de mercúrio.

Devido à presença de bens sofisticados e à própria configuração da construção, Henry Luis Gayoso, funcionário do Ministério da Cultura do Peru, declarou ao jornal The New York Times que o indivíduo provavelmente tinha alguma ligação com a elite Chimú.

A câmara principal era ladeada por duas outras salas. Uma delas estava praticamente vazia. Na outra, os arqueólogos encontraram aproximadamente 20 conjuntos de restos humanos acompanhados por diferentes objetos. Outros 17 esqueletos foram identificados durante a escavação da plataforma funerária.

Entre os artefatos recuperados estão peças de cobre e ouro, armas, adornos, joias e tecidos, além dos vasos de cerâmica. A combinação de restos humanos e bens funerários pode permitir aos pesquisadores reconstruírem aspectos das relações sociais e dos rituais praticados pelos Chimú.

Parte dos ossos do indivíduo encontrado na câmara central estava ausente. Uma hipótese é que os restos tenham sido deslocados ou reenterrados posteriormente. A prática de manipular os restos de mortos após o sepultamento era conhecida entre sociedades andinas, que podiam manter vínculos rituais com antepassados e líderes mesmo depois de sua morte.

Ainda não está definido quem eram exatamente os indivíduos enterrados, qual era a relação entre eles ou em que circunstâncias morreram. Espera-se que estudos futuros investiguem, entre outros aspectos, idade, sexo, saúde e possíveis relações familiares ou sociais.

Civilização Chimú

A civilização Chimú se desenvolveu na costa norte do atual Peru aproximadamente entre os anos 900 e 1470. Antes da expansão do Império Inca, os Chimú formaram um poderoso Estado e construíram uma sociedade complexa em uma das regiões mais áridas da América do Sul.

Sua sobrevivência dependia de sistemas de irrigação capazes de transportar água para áreas agrícolas. Em entrevista à revista Smithsonian, o engenheiro hidráulico Charles Ortloff descreveu os Chimú como a “primeira sociedade verdadeiramente engenheira do Novo Mundo”, em referência à sofisticação de suas obras hidráulicas.

Seus governantes viviam em grandes complexos murados, e diferentes palácios de Chan Chan possuíam plataformas funerárias destinadas ao sepultamento de líderes e pessoas ligadas à corte. O mausoléu recém-identificado se insere nesse modelo de arquitetura funerária.

Chan Chan foi o principal centro político e urbano dos Chimú. A cidade foi construída predominantemente com adobe, material produzido a partir de terra moldada e seca, e era formada por grandes áreas cercadas por muros.

Em seu auge, estima-se que o centro urbano tenha abrigado dezenas de milhares de pessoas, tornando-se um dos maiores assentamentos das Américas em seu período. A monumentalidade da cidade refletia a organização política e econômica do reino Chimú.

O sítio arqueológico é reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Apesar disso, apenas uma pequena parte da antiga capital foi investigada por arqueólogos.

Fonte: Tumbade 600 anos encontrada no Peru contém restos mortais e tesouro intactos

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