terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Para arqueóloga, povo antigo teve agricultura sustentável

DA REPORTAGEM LOCAL

O trabalho da arqueóloga Cameron McNeil em Copán está não só revendo a imagem de desmatadores dos maias, mas também revelando que aquela antiga civilização tinha práticas sustentáveis de produção de alimentos. Segundo ela, além de plantar milho, os maias criaram sistemas agroflorestais.

"É provável que eles pegassem florestas naturais e as "gerenciassem". Encorajavam o crescimento de árvores que eram economicamente úteis, seja como alimento, remédio ou material de construção", diz a pesquisadora. "Creio que, quando alguém diz que os maias desmataram toda a paisagem, está vendo a agricultura sob uma perspectiva europeia, sem conseguir entender o papel vital que as florestas tinham na antiga Mesoamérica." Uma das árvores da região, a ceiba, até hoje tem sua resina usada na produção. Antigamente, ela era considerada até mesmo sagrada pelos maias.

Para McNeil, o mais provável é que secas prolongadas tenham desempenhado um papel fundamental no colapso maia, embora ela alerte que outros fatores, como a reação da sociedade maia à seca e o conflito dentro das cidades e entre os vários centros urbanos, também podem ter sido cruciais. Para ela, a crise ambiental moderna acabou influenciando as interpretações apressadas do que teria acontecido em Copán.

McNeil relata um episódio que ajuda a ilustrar o uso ideológico da arqueologia. "Uma vez, quando meus resultados já eram bem conhecidos em Copán, membros de uma ONG colocaram um cartaz no local dizendo que os maias tinham destruído o ambiente da região. Alguns antropólogos avisaram que essa teoria tinha sido derrubada, e que era melhor não colocar os cartazes. O pessoal da ONG respondeu que, mesmo assim, era melhor seguir em frente porque isso ensinaria a população moderna a ter cuidado com o ambiente. Para mim, seria melhor fazer cartazes encorajando os visitantes do sítio a serem bons administradores do ambiente, tal como os maias do período Clássico!"
(REINALDO JOSÉ LOPES)

Fonte: Brasil, www.folha.uol.com.br/ (17/01/2010)

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