terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cartilha para preservar sítio arqueológico no Agreste será lançada este sábado


Cleide Alves (Especial para o Jornal do Commercio PE/Online)

Dissertações de mestrado geralmente ficam restritas ao mundo acadêmico. Mas sempre há exceções e um exemplo é o lançamento da cartilha Educação Patrimonial em Bom Jardim: Preservação da história de um povo, do professor Severino Ribeiro da Silva, às 15h deste sábado (29), Livraria Saraiva do Shopping Center Recife, em Boa Viagem, no Recife. A publicação é um produto do trabalho que ele defenderá no próximo mês no Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Com tiragem de dois mil exemplares, a cartilha tem 32 páginas em formato de quadrinho e será distribuída para 14 escolas do município de Bom Jardim, no Agreste do Estado, distante 114,8 quilômetros do Recife. Uma parte será comercializada em livrarias. “Todos os personagens, histórias e problemas relatados na publicação são reais. O objetivo é garantir a preservação dos sítios arqueológicos do município”, diz o professor.

A cartilha é focada em Bom Jardim, mas a mensagem se aplica a qualquer localidade onde exista sítios com vestígios arqueológicos (cacos de objetos ou marcas de alguma atividade deixadas pelo homem, como vasilhames de cerâmicas e fogueiras). Destruir essa herança, ensina a publicação, “tem o mesmo efeito de apagar de nossa memória uma parte de nossa história vida.” Os desenhos são intercalados com fotografias de pinturas rupestres, artefatos e abrigos em rochas.

Bom Jardim, conforme o pesquisador, possui 12 sítios arqueológicos identificados e alguns paleontológicos na bacia do Rio Goiana. São abrigos em rochas que serviam de moradia e cemitério. Outros quatro sítios pré-históricos, com pinturas rupestres, foram localizados na bacia do médio Capibaribe e Riacho Ribeiro Grande, incluindo a região de João Alfredo. “Dois encontram-se totalmente destruídos pela ocupação urbana desordenada e dois estão 80% preservados. Há mais de 15 painéis pintados”, informa.

A cartilha, financiada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe-Funcultura), é um produto da dissertação de mestrado de Severino Ribeiro. “Queria fazer alguma coisa para ajudar a preservar os sítios e o melhor caminho é a educação patrimonial.” Na mesma linha de raciocínio, estão sendo realizadas oficinas para alunos e professores.

Ele quer evitar novas destruições de patrimônio do município, como a que aconteceu este mês com uma casa que tinha a fachada revestida com azulejo português do século 19. O imóvel, segundo ele, representava tanto a arquitetura quanto a economia predominante na época, em Bom Jardim, a produção de algodão. “O proprietário demoliu toda a edificação”, lamenta.

Fonte:
Brasil, http://jc.uol.com.br/ (27/11/2009)

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