sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Paranaíta vai explorar sítio rupestre

Da Reportagem

Um comitê formado esta semana em Paranaíta (851 Km de Cuiabá) começará em breve o trabalho de angariar fundos que façam a região, no extremo norte do Estado, finalmente explorar todo o potencial para ecoturismo existente no sítio arqueológico da Pedra Preta. Esta semana, a sociedade local se reuniu para conferir o plano de uso público do local, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um projeto estimado em R$ 3 milhões.

O sítio arqueológico da Pedra Preta foi considerado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo Ministério do Turismo, no Programa para o Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal (Proecotur), como elemento estratégico para impulsionar o ecoturismo na região.

Para isso, foi realizado um projeto de pesquisa arqueológica no local e um plano de gestão e estratégia de uso público, uma maneira de se promover a visitação turística monitorada sem danificar as gravações rupestres. Estes planos foram apresentados esta semana e foi formado um comitê gestor que ficará responsável por tocar os projetos.

Tudo está sendo orientado pela representante do IPHAN, Maria Clara Migliacio, diretora do Centro Nacional de Arqueologia, vinculado ao órgão. Ela, que já atuou no Iphan em Mato Grosso, explicou que o projeto de uso do sítio consistirá em estrutura e qualificação.

Sobre a estrutura, ela adiantou que contará com um centro cultural e museu em Paranaíta, além de uma base de apoio ao turista nas proximidades do sítio arqueológico. Já o preparo da comunidade será no sentido de difundir conhecimento sobre a atração turística para formar pessoas com condições de atuarem como guias. Para essas ações, deverão ser necessários cerca de R$ 3 milhões – verba que o comitê gestor formado será responsável por angariar para, nas palavras de Maria Clara, “fazer jus à importância do sítio arqueológico da Pedra Preta”.

Ela destacou que esta importância reside nas características peculiares do sítio. Trata-se de uma arte rupestre diferenciada em relação aos exemplos já encontrados no restante do país. São dez hectares de granito com desenhos monumentais de animais (anta, tamanduá, macaco, porco-do-mato, cobra), homens e figuras geométricas gravados direto na pedra, situada 37 metros acima da copa das árvores. O local é praticamente um mirante da floresta e do vale dos rios Teles Pires e Paranaíta, segundo Maria Clara.

E, embora o local tenha sido pouco estudado até agora, há evidências de que a civilização pré-colombiana responsável pelas figuras utilizava a área para celebrações ou momentos especiais, já que não é habitável e dada a dificuldade que a feitura dos desenhos deve ter imposto. Os restos de cerâmica e ferramentas como machados indicam que tratava-se de um povo que dominava a agricultura e vivia em aldeias.

Recentemente, um outro sítio arqueológico mato-grossense chamou atenção, desta vez em Chapada dos Guimarães (65 Km de Cuiabá). Por conta dos estudos preliminares para implantação de um teleférico na serra do Atimã, pesquisadores descobriram um novo local com inscrições de animais e figuras geométricas na pedra ao pé dos cânions, ainda sem estudos científicos a respeito. (RD)

Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=382649 (05/11/2010)

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